O período do Desterro

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A Casa Pia de Lisboa : Breve síntese histórica

Adérito Tavares
Professor na Universidade católica portuguesa (Lisboa)

 

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D. João VI
Quadro de Máximo Paulino dos Reis
alusivo à reabertura da Casa Pia no Desterro

 

3.  O período do Desterro

Pina Manique morreu em 1805. Dois anos depois, com a ocupação de Lisboa pelos exércitos napoleónicos, Junot instala no castelo de S. Jorge as suas tropas. As crianças da Casa Pia foram desalojadas e distribuidas por asilos, paróquais e conventos. Outras ficaram simplesmente na rua. Só em 1811, passada a convulsão das invasões francesas, a Casa Pia ressurgiria, no Convento do Desterro embora sem a pujança e o dinamismo da sua admirável primeira fase.

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A chegada de Junot a Lisboa pôs ponto final a um dos mais gloriosos períodos da Instituição casapiana. Os soldados napoleónicos cometeram todo o tipo de arbitrariedades: por onde passaram deixaram um rasto de destruição e de crueldade. Junot ordenou ao novo Intendente-geral da Polícia (Lucas de Seabra da Silva, que substituira Pina Manique), que «limpasse» as instalações do Castelo de S. Jorge para ali alojar parte das suas tropas. Aulas, oficinas, biblioteca, laboratório, botica, observatório, tudo aquilo que, carinhosamente, fora criado durante 27 anos, desapareceu. Felizmente para ele, Pina Manique tinha morrido 2 anos antes, sendo-lhe assim poupada a visão do descalabro de uma obra a que dedicara a melhor das suas energias.

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Após as invasões, a situação em que o País se encontrava exigia, mais que nunca, que o Estado tomasse para si o encargo de promover obras de assistência social. Eram centenas as crianças que vagueavam pelas ruas, esfarrapadas e esfomeadas. Tendo consciência da premência da situação, a Regência ordenou que a Casa Pia fosse reorganizada e se instalasse no Desterro, no convento dos monges de S. Bernardo, reconstruido após o terramoto de 1755. Aí iriam ser alojadas, para já, 4 a 5 centenas de crianças e jovens de ambos os sexos partilhando com os poucos frades bernardos instalações precárias e inadaptadas.

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Antigo Convent de São Bernardo ou do Desterro em Lisboa 

A fase do Desterro foi um período triste na vida da Instituição Casapiana, muito longe da época áurea do Castelo. César da Silva, o primeiro historiador da Casa Pia, reconhece com mágoa que «a grandeza e esplendor da antiga eram substituídas neste por uma modéstia que inteiramente se conformava com os tempos de então.». O tempo do Destero foi, efectivamente um «desterro». Os 22 anos que ali passou foram para a Casa Pia o reflexo da atribulada vida do próprio País.

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Antigo Convent de São Bernardo ou do Desterro em Lisboa 

Lembremos que, entre 1811 e 1820, com a Corte no Rio de Janeiro, Portugal seria uma espécie de colónia britânica, militarmente ocupada, economicamente dependente, politicamente manipulada. A primeira tentativa de libertação (a revolta liberal liderada por Gomes Freire em 1817) foi ferozmente reprimida. Com a eclosão da Revolução Liberal e 1820 o País libertou-se (temporariamente) da dependência inglesa mais mergulhou num clima de instabilidade que se prolongaria até à Regeneração (1851). A implementação do liberalismo custaria a Portugal um rosário de revoltas e de revoluções que não permitiram solucionar os graves problemas com que a terra portuguesa se debatia pelo menos desde 1807.

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Real Palácio da Ajuda

 E a Casa Pia não era excepção. No Desterro, os rendimentos eram escassos para tantas crianças. Segundo a Memória da Comissão da Academia das Ciências que, em 1820, visitou a Casa Pia, existiam na instituição, naquela data, «594 indivíduos», para além de 11 no Real Palácio da Ajuda «aprendendo ofícios de carpinteiro e canteiro», «60 ocupados no Arsenal Real do Exército, 20 na Coordoaria e 4 no Arsenal da Marinha». Havia ainda mais «120 órfãos aprendendo ofícios com diferentes mestres». No total, 805 crianças e jovens de ambos os sexos dependiam da Casa Pia, em 1820. Os rendimentos segundo a mesma Memória, eram, naquela data, aproximadamente de 43 contos de réis. Muito longe portanto, do desafogado orçamento da Casa Pia do Castelo. Não admira, por isso, que o curriculo académico estivesse igualmente distante daquele que encontramos na primitiva «Universidade plebeia». Limitava-se às primeiras letras (segundo o método de Lencastre, ou aula de ensino mútuo, em que os mais velhos ensinavam os mais novos), Latim, Desenho e aprendizagem de ofícios (geralmente fora da instituição). Os mais dotados continuavam a ser encaminhados para Aulas Públicas externas, embora em escasso número.

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Vista de Lisboa, século XIX 

 

Após a restauração absolutista de 1828, com o clima de violência que se instalou, a Casa Pia viveu em permanente sobressalto. No próprio ano de 1828 foi mesmo necessário recorrer a uma subscrição pública para ocorrer às despesas com a alimentação e o vestuário das crianças. As condições de instabilidade social, empurravam para a instituição cada vez mais gente e, com a guerra civil de 1832-34, o Desterro revelou-se absolutamente insuficiente.

 

À propos de dubleudansmesnuages

Je laisserai vagabonder mon esprit nomade, sur le fil d'or de mes silences, pour vous parler des ces choses qui me maintiennent en équilibre. Je vous parlerai aussi des musiques que j'aime. Elles se promènent du Fado d'Amália, de Dulce Pontes, de Cristina Branco, de Mariza, jusqu'aux voix frissonantes de Diana Krall, de Stacey Kent, de Chiara Civello, de Karrin Allyson, de Stina Nordenstam, de Robin McKelle, de Sophie Milman, d'Emilie-Claire Barlow, et d'encore plein d'autres … Aznavour, Brel, Duteil, Art Mengo, Berliner, Cabrel, Balavoine, Julien Clerc, Fugain, Le Forestier, Goldman, Lama, Rapsat, Vassiliu, Daniel Seff, Peyrac et tous ceux que m’on fait aimer la chanson française. Je me perdrai certains soirs dans le paradis de la musique brésilienne : Eliane Elias, Astrud Gilbert, Gal Costa, Elis Regina, Bia, Bebel Gilberto, Maria Creuza, Nara Leão, Jobim, Vinicius, Buarque, Toquinho, Djavan … Il y aura des moments où je vous parlerai d'une des chansons de ceux que j'affectionne. Donovan, Leonard Cohen, The Doors, Tracy Chapman, The Scorpions, Dylan, Lennon ou McCartney (avec ou sans les Beatles), ou de voix d'or comme Sarah Brightman, Ana Torroja, ou Teresa Salgueiro. Puis, parfois, je me promènerai sans but précis entre Piazzolla et Lluis Llach, de Mayte Martin à Gigliolla Cinquetti ou Paolo Conte, de Chavella Vargas à Souad Massi en passant par Gabriel Yacoub. Parce que la musique n’a aucune frontière. La musique ne connait que des sensibilités. Des sonorités. Des larmes ou des sourires. Je vous déposerai ici l'une ou l'autre de mes photos. Les moins ratées. Je vous laisserai un peu de poésie. Des poètes portugais. Que j'aime. Infiniment. Et puis tous les autres dont les textes me touchent. Je ne vous parlerai que des gens que j’aime. Et puis un peu de moi. Si peu. Et puis, si j'ai le temps. Seulement si j'ai le temps, je vous parlerai d'autres choses. Plus intimes.
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