A Casa Pia de Lisboa faz 229 anos

3 juillet 2009

[version française]

 

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[Imagem: escultor Helder Batista
in Mémórias de um casapiano, Augusto Poiares
Jornal “O Casapiano”]

 

Quase trinta anos que voltei as costas àquela que o escritor e político, Latino Coelho chamava a Universidade Plebeia.  Quase trinta anos que, todos os anos, a nostalgia de um tempo ido, me traz sempre o mesmo nó à garganta.

Guardo da minha infância planícies de solidão e ausências de afectos, próprias àqueles que conheceram uma infância vivida na ausência dos pais

Contudo, a estas imagens veio, com o tempo, misturar-se o orgulho ter pertencido a uma das mais nobres escolas do país. Foi là que aprendi os valores de solidariedade, de tolerância e de respeito da diferença, que ainda hoje guiam a minha conduta. Uma escola onde a fraternidade não era uma palavra mort.

E mesmo se a vida sempre me levou para horizontes longinquos e nunca tenha participado nem a encontros nem a jantares de ex-alunos, não é menos verdade que longe da vista mas pertinho do coração que bate sempre com mais força, cada vez que oiço o nome daquela que me preparou para a vida.

E logo me surgem imagens da infância. Com a mesma brutalidade que a fúria do mar, nas manhãs de inverno…

Recentemente, e após um tão mediático caso de pedofilia, a Casa Pia de Lisboa, conheceu um período assaz difícil que foi (e continua a sê-lo) tratado, na sua grande maioria,  com a estupidez própria ao sensasionalismo jornalístico. Muito foi dito. Por muitos. Com a frequência própria aos ignorants que mais não procuram ouvir o estalar do chicote das suas própias palavras sem, no entanto, se preocuparem, de facto, com a verdade.

A sua boa consciencia jornalística esquece que a pedofilia não é um fenómeno ligado às intuições, mas sim à sociedade à qual, de resto, eles também partencem. A maior parte desses jornalistas, ignora que a Casa Pia de Lisboa é bem mais do que uma mera institutuição fechada entre quatro muros de cimento. Antes pelo contrário, a Casa Pia sempre foi uma instituição aberta ao mundo.

A Casa Pia são milhões de homens e mulheres. Pais, avós, filhos e netos, espalhados pelo mundo. A Casa Pia sou eu, é outro.  Aquele que não conheço, mas que é irmão da minha infância.
É esta certeza de nos reconhecermos e de falarmos as mesmas palavras, chorarmos as mesmas lágrimas e rirmos as mesmas gargalhadas, mesmo quando alguns anos separam a nossa passagem pela instituição.

E estou convicto que como eu, tantos irmãos da minha infância sofrem em silêncio tanta estupidez, fruto de um sensacionalismo estéril onde abundam rios de palavras, inúteis e gratuitas. 

Hoje, a Casa Pia de Lisboa comemora os seus 229 anos de existência.

Revejo-me uma vez mais. Como todos os anos e já lá vão praticamente trinta anos. Penso à tantos outros, irmãos da minha infância. Companheiros de recreio. Amigos de viagem. Que lhes terá reservado o tempo passado na selva da existência?

Penso e rejevo imagens longinquas e esboço um sorriso.

Todas as minhas recordações de infância nascem e morrem na Casa Pia de Lisboa. Todos os meus primeiros sonhos de vida nasceram na Casa Pia de Lisboa.  O homem que hoje sou nasceu na Casa Pia de Lisboa. E onde me encontre a Casa Pia está sempre no meu coração.  E sinto orgulho nisso.

Que a festa seja bela.

 

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As ideias que presidiram à fundação da Casa Pia

O período do Castelo de S. Jorge

O período do Desterro

Dos Jerónimos ao «Estado Novo»

Do Casa Pia ao Casa Pia

 

La Casa Pia de Lisbonne fête ses 229 ans

3 juillet 2009

[Version portugaise]

 

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[Image : Sculpteur Helder Naptista
in Mémórias de um Casapiano
Jornal “O Casapiano”]

 

Voilà trente ans que j’ai tourné le dos à celle que l’écrivain et homme politique Latino Coelho appelait l’Université de la Plèbe.  Voilà trente ans que chaque année la nostalgie me prend à la gorge.

Je ne garde de mon enfance que des images de grande solitude et de manque affectif propres à une enfance vécue en l’absence des parents.

À ces images est venue se mélanger, avec le temps, la fierté d’avoir appartenu à une des plus nobles écoles du pays. Une école où j’ai appris les vraies valeurs de la solidarité, de la tolérance et de la différence qui aujourd’hui encore guident mon existence. Une école où la fraternité n’était pas un vain mot.

S’il est vrai que la vie m’a toujours conduit ailleurs et que je n’ai jamais participé ni à des rencontres ni à des diners d’ex-élèves, il n’est pas moins vrai que loin des yeux près de mon cœur qui bat un peu plus fort chaque fois que j’entends son nom.

Et des images de mon enfance me reviennent. Avec la brutalité de la mer en furie, les matins d’hiver…

Récemment, et suite à une affaire très médiatisée de pédophilie, la Casa Pia de Lisbonne a traversé une période terrible qui a été (et est toujours) étalée avec la bêtise propre au sensationnalisme journalistique. Beaucoup a été dit. Partout. Souvent par des gens ignorants et qui ne cherchent qu’à écouter le fouet de leurs propres mots sans se soucier de la vérité.

Leur bonne conscience journalistique leur fait oublier que la pédophilie n’est pas un phénomène lié aux institutions, mais à la société à laquelle d’ailleurs ils appartiennent. La plupart de ces journalistes ignorent que la Casa Pia est bien plus qu’une institution enfermée entre quatre murs de ciment. Bien au contraire, elle est une institution bien ouverte sur le monde.

La Casa Pia, ce sont des millions d’hommes et de femmes de par le monde. Pères, grands-pères, fils et petits-fils.  La Casa Pia, c’est moi, c’est celui plus loin. Celui que je ne connais pas mais qui est frère de mon enfance.

C’est cette certitude de se reconnaître en parlant les mêmes mots, les mêmes larmes et les mêmes rires, même si nous sommes passés par l’institution à quelques années d’intervalle.

Et je suis convaincu que tout comme moi, tant de frères de mon enfance souffrent silencieux face à tant de bêtise, fruit d’un sensationnalisme puéril, fait d’une rivière de mots inutiles et gratuits.

Aujourd’hui, la Casa Pia de Lisbonne connait ses 229 années d’existence.

Je repense une fois encore à moi. Comme depuis trente ans. Je pense à tant d’autres, frères d’enfance.  Compagnons de jeux à l’heure de la recré. Amis de voyage.  Que sont-ils devenus dans la jungle de l’existence?

Je pense et je revois des images lointaines et il me vient un sourire.Tous mes souvenirs d’enfance naissent et se taisent  à la Casa Pia de Lisbonne.  L’homme que je suis devenu est né à la Casa Pia de Lisbonne. Et peu importe où je me trouve, elle est toujours dans mon cœur. Et j’en suis fier.

Que la fête soit belle.

 

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Les idées qui ont présidé à la fondation de la Casa Pia

La période du Château de Saint Jorge

La période du Couvent du Desterro

Des Jerónimos à l’« État Nouveau »

De la Casa Pia au Casa Pia

 

 

Le bleu des autres…

3 juillet 2009

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Le bleu de The Daily Photography
of
Andreas Manessinger